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Sábado, 5 de Fevereiro de 2011
diga nao á violencia no namoro


Existe violência quando, numa relação amorosa, um exerce poder e controlo sobre o outro, com o objectivo de obter o que deseja.

A violência nas relações amorosas surge quando:

os rapazes pensam que:
- têm o direito de decidir determinadas coisas pela namorada
- o respeito impõe-se
- ser masculino é ser agressivo e usar a força
as raparigas acreditam que:
- as crises de ciúme e o sentimento de posse do namorado significam que ele a ama
- são responsáveis pelos problemas da relação
- não podem recusar ter relações sexuais quando ele deseja
A violência não conhece fronteiras de estratos sociais, faixas etárias, religiões, etnias, etc, e ocorre em todos os casais (hetero e homossexuais).

 

Mitos e realidades

 

Mito: A violência no namoro não é uma situação comum nem séria.

Realidade: A violência não é apenas um problema de adultos, também ocorre nas relações amorosas entre adolescentes.
Mito: As adolescentes gostam dessas relações ou não continuariam com o namoro.
Realidade: As adolescentes mantém as relações de namoro por várias e complexas razões, nunca por gostarem de ser abusadas. Ninguém se mantém numa relação de abuso porque gosta, e sair duma relação violenta pode ser um processo muito difícil.
Mito: Um rapaz grita ou bate porque gosta da namorada.
Realidade: Os rapazes que agem dessa forma estão a usar a violência para controlar a namorada. Gostar de alguém quer dizer respeitar a pessoa não a agredindo.

Como posso saber se estou a viver uma relação de namoro violenta?
Decidir viver uma relação amorosa não violenta requer saber identificar os sinais de uma relação violenta.
Estás a viver relação amorosa violenta se o teu namorado:
- belisca-te, empurra-te, arranha-te
- dá-te ordens ou toma todas as decisões
- não valoriza as tuas opiniões
- é ciumento e possessivo, não quer que saias com as tuas amigas e amigos
- controla todos os teus movimentos (pergunta constantemente onde estiveste, com quem estiveste)
- humilha-te à frente das tuas amigas e amigos (insulta-te, diz que nada serias sem ele, etc.)
- culpa-te pelos comportamentos violentos dele
- assusta-te, tens medo da reacção dele quando dizes ou fazes alguma coisa
- pressiona-te para terem relações sexuais, para terem relações sexuais não protegidas ou práticas sexuais não desejadas por ti
- pressiona-te a consumir álcool ou outras drogas que te poderão desinibir sexualmente (como por exemplo o medicamento Rohypnol)
- intimida-te
- não aceita que queiras terminar a relação
- ameaça espalhar rumores se acabares com a relação, fazer mal a alguém (ou a ele próprio)
- oferece-te prendas em excesso, especialmente após um comportamento violento

 

Lembra-te ! Tens o direito de…

 

1. Nao ter namorado
2. Expressar as tuas ideias
3. Expressar os teus sentimentos, mesmo sendo negativos
4. Escolher o teu trabalho e a tua religião
5. Viver sem medo
6. Ter tempo para ti
7. Gastar o teu dinheiro como bem entendes
8. Ser apoiada pela tua família e amigas/os
9. Ser ouvida pelas tuas amigas e amigos, e familiares
10. Escolher as tuas amigas e amigos
11. Expressar as tuas convicções, competências e talentos
12. Decidir se queres participar em actos sexuais ou não

Porque é que uma jovem mantém uma relação de namoro violenta?
Normalmente a violência não é uma constante na relação, acontece ocasionalmente, e após o episódio de violência existe a chamada fase de “lua-de-mel”. Nesta fase o agressor procura desculpabilizar-se e desresponsabilizar-se, pedindo desculpa, oferecendo presentes e prometendo que a violência não voltará a acontecer.
As razões pelas quais as jovens mantêm uma relação de namoro violenta são várias, entre as quais:
1. Gostar realmente do namorado, querer que a violência acabe e não o namoro, e acreditar que poderá mudá-lo.
2. A pressão do grupo:
- Aquilo que as nossas amigas e amigos pensam sobre nós tem muita importância e gostamos de sentir que somos aceites.
- Os namorados normalmente partilham o mesmo grupo de amigas e amigos, o que é que o grupo vai fazer se terminar o namoro? Vai escolher ficar do lado dela ou dele? E se não acreditarem nela, ao saberem os motivos que a levaram a terminar a relação? E se escolherem ficar do lado dele? Os rapazes que são violentos em privado, podem aparentar serem calmos e carinhosos publicamente.
3. A vergonha (por exemplo: de contar à família e amigas/os o que se está a passar)
4. O medo (por exemplo: das represálias, perseguições, ameaças)
É preciso muita coragem para terminar uma relação que não é violenta, torna-se ainda mais difícil quando se trata de uma relação violenta e abusiva.

 

Quais as consequências de uma relação violenta?
A violência no namoro tem consequências graves em termos de saúde física e mental para a jovem, tais como:

 

- Perda de apetite e emagrecimento excessivo
- Dores de cabeça
- Nódoas negras
- Queimaduras (ácido, pontas de cigarro)
- Nervosismo
- Tristeza
- Ansiedade
- Sentimentos de culpa
- Baixa auto-estima
- Confusão
- Depressão
- Isolamento
- Gravidez indesejada
- Doenças sexualmente transmissíveis
- Baixa dos rendimentos escolares ou abandono escolar
- Suicídio

 

O que posso fazer se uma amiga estiver envolvida numa relação de namoro violenta?

Se queres apoiar a tua amiga, é muito importante que ela perceba que está a viver uma relação amorosa violenta. Podes dizer-lhe que:
- a violência é um crime punível por lei
- ela tem direito a viver sem violência e a ser respeitada pelo namorado
- procure alguém com quem falar sobre o assunto e que a possa auxiliar e informar (familiar, professor/a, psicólogo/a da escola, associações)
Se pensas que a tua amiga se encontra numa situação de perigo iminente e que não consegue falar com ninguém, diz-lhe que vais procurar apoio de alguém de confiança.
O fim da relação não significa o fim da violência. Por vezes, o ex-namorado não aceita o fim da relação, continuando a perseguir e a controlar todos os passos que a ex-namorada dá.

 

Daí que seja importante ter em conta algumas medidas de segurança:

 

- Mudar o número de telemóvel
- Mudar de e-mail
- Mudar a fechadura do cacifo da escola
- Procurar caminhos alternativos para os locais que habitualmente frequentas
- Procurar andar acompanhada
- Falar da situação com pessoas de confiança que possam apoiar em situações de emergência
- Manter um diário sobre as situações de violência que ocorreram

- Gravar no telemóvel os contactos necessários em caso de emergência (112, polícia local, pessoa de confiança)

«Gina Pires



publicado por mundomulher1 às 20:59
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